O problema
A cena é conhecida: o mês fecha com vendas boas, o contador mostra lucro, mas a conta bancária vive no limite. O empresário cobre a folha com cheque especial, antecipa recebíveis toda semana e atrasa um fornecedor para pagar outro. Lucro e caixa são coisas diferentes - e é a falta de caixa, não a falta de lucro, que quebra a maior parte das pequenas empresas.
Por que acontece
Na maioria dos casos o aperto nasce do descasamento de prazos. A empresa paga o fornecedor em 28 dias, mantém o estoque parado por 45 e recebe do cliente em 60. Esse intervalo é o ciclo financeiro, e alguém precisa financiá-lo. Quando não há capital de giro próprio, quem financia é o banco, na linha mais cara que existe. Somam-se a isso retiradas dos sócios sem critério, crescimento de vendas sem planejamento (crescer consome caixa) e investimentos em máquinas e reformas pagos com dinheiro de curto prazo.
O que precisa mudar
- Calcule o ciclo financeiro: prazo médio de estoque + prazo médio de recebimento − prazo médio de pagamento. Cada dia reduzido libera caixa.
- Monte um fluxo de caixa projetado para 13 semanas e atualize toda segunda-feira. Ele avisa do buraco com dois meses de antecedência.
- Renegocie prazos com fornecedores e reveja a política de prazo concedido ao cliente. Prazo é custo.
- Separe as contas da empresa das contas do sócio e fixe um pró-labore.
- Troque dívida cara e curta por dívida longa e barata. Investimento fixo deve ser financiado com prazo compatível com o retorno - é para isso que existem FCO, BNDES e as agências de fomento.
- Dimensione a necessidade de capital de giro antes de crescer. Vender 30% a mais exige, em geral, 30% a mais de giro.
Alternativas de crédito
Os fundos constitucionais e o BNDES financiam capital de giro associado ao investimento, com carência e prazos que o crédito comercial não oferece. Para quem tem imóvel urbano, o crédito com garantia imobiliária permite alongar a dívida em até 240 meses e reduzir drasticamente a parcela mensal.
Como a AB1 ajuda
Fazemos o diagnóstico do ciclo financeiro, dimensionamos a necessidade real de capital de giro e estruturamos a operação de crédito adequada - ou a renegociação das dívidas atuais - para que o caixa volte a acompanhar o resultado.
Por José Antonio Bastos, administrador (CRA) e consultor financeiro da AB1.


